10/11/2008

Filme Desejo e Reparação (Atonement): sobre o papel da testemunha

Uma obra de arte não está sujeita a análise de certo ou errado. O relevante é o que ela comunica mediante sua linguagem simbólica.

O filme Desejo e Reparação informa uma questão peculiar, que por certo não é o foco do roteiro, mas contribui para trama: uma criança como testemunha de acusação.

Conforme afirmado, a leitura de uma obra de arte deve-se ater nos seus elementos simbólicos, portanto, toma-se "criança" em seu sentido metafórico. Noutros termos, a "menina" representa, dentro da linguagem poética, a testemunha cheia de rancor, ciúmes, disposta a fantasiar (e, quiçá, mentir) sobre a veracidade dos fatos supostamente narrados.

Noutro extremo, seu rosto angelical gera a confiança e credibilidade no espírito do julgador e o convence dos desígnios dela.

A experiência cotidiana nos processos, notadamente, os penais, demonstram a existência dessas testemunhas "crianças", isto é, adultos capazes, no entanto, que movidos pelos mais diferentes intentos (ou patologias) fantasiam durante sua oitiva perante o Judiciário e relatam uma "verdade dos fatos" artificiosa e doentia.

Dito dessa forma, talvez não lhe cause impacto, caro leitor. Todavia, veja o filme e depois reflita sobre os cuidados que o operador do direito deve ter com o exame da prova testemunhal.

2 comentários:

Pedro Luso de Carvalho disse...

Caro Gustavo,

Agradeço a visita do colega em meu blog, e aproveito para cumprimentá-lo pelo seu excelente site, que não se restringe ao Direito, mas aborda temas do cinema e de outras artes.

Abraço.

Pedro.

gpamplona disse...

Caro Pedro,

Para mim, Pós-positivismo é isso: a abertura do Direito para outras expressões da racionalidade humana, notadamente, a arte e a filosofia.

Abraços,
G Pamplona

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